2009 certamente foi um ano produtivo para o cinema. Aspectos positivos não faltaram e os amantes de cinema não tiveram do que reclamar. Abaixo, eu listo os meus destaques, deixando bem claro que há muito mais a ser falado.
Simonal – Ninguém Sabe o Duro Que Dei
O documentário sobre o cantor Wilson Simonal é um exemplo de uma infinidade de filmes brasileiros lançados nesse ano que tinham por objetivo contar mais ao público histórias sobre alguns artistas inesquecíveis. Pra mim, esse filme específico tem um significado especial porque vai buscar um personagem quase que totalmente esquecido, mas que não só possuía muito talento como gerava muitas polêmicas. Com esses ingredientes bastante convenientes para um filme, Claudio Manoel, Calvito Leal e Micael Lager me proporcionaram 86 minutos de êctasy não só cinematográfico como musical. Os depoimentos, inclusive, são ótimos. Além do mais esse filme foi capaz de trazer o nome de Simonal de volta às paradas, conquistando muita gente da minha geração e lembrando o pessoal das gerações passadas como era bom o mulato do mustang cor de sangue que morava num país tropical cheio de limão, de limoeiro, de pé de jacarandá...
À Deriva
Esse filme me mostrou que não compreendo a cabeça dos críticos de cinema, ainda que eu me imagine como um deles futuramente. Desde às atuações até a fotografia, passando pelo roteiro e a cenografia, o último filme de Heitor Dhalia supera qualquer dúvida sobre sua qualidade. Tanto que Cannes vibrou na exibição do filme cujo pano de fundo é a linda Búzios, no litoral Fluminense. Já a crítica brasileira, para a minha surpresa, se dividiu em suas análises. Miguel Barbieri Jr. da Veja SP disse que o filme “não transborda a comoção pretendida”, o que me faz pensar que ele não entendeu que Heitor Dhalia parecia querer tratar um assunto que pode ser tão dramático quanto o divórcio de um modo alternativo, frio, realista até, e belo, infinitamente belo. Em outras palavras, não havia “comoção pretendida”. De todo modo, o francês Vincent Cassel dá um toque especial no filme como um pai atencioso cuja filha, a avassaladora estreante Laura Neiva, nota as suas puladas de cerca eventuais num contexto de separação iminente. Como o próprio crítico da Veja confessa, o terceiro filme de Heitor Dhalia é “calculadinho”. E por que diabos isso haveria de ser ruim?
Apenas o Fim
Esse filme representa toda uma geração, na qual me incluo. A melhor coisa da primeira obra do universitário Matheus Souza é o conjunto de tiradas hilárias do personagem de Gregório Duvivier que a todo momento faz menção a elementos culturais que estiveram presentes na infância e adolescência dos jovens adultos de hoje. As condições de filmagem eram precárias (filmado dentro da PUC-RIO nas férias) e o custo baixíssimo, mas o resultado foi sucesso inegável. Trata da história de uma bela menina que decide deixar o namorado na rua da amargura, mas não sem antes explorar com ele as lembranças do relacionamento. A história, no fim das contas, é secundária, parece mais uma desculpa para Matheus Souza nos divertir. Ainda assim, aconselho os rapazes a não levarem suas namoradas para ver o filme, já que ele pode influenciá-las.
Bastardos Inglórios
É difícil ver um filme longo como esse que lhe conquista nos primeiros cinco minutos e continua a lhe conquistar durante todo o seu curso e deixa uma tremenda paixão após o fim de sua exibição. Inglorious Basterds, no original, fez isso. O filme que fechou o Festival do Rio traz às telas a história fictícia de um grupo armado que combate nazistas de forma brutal, mas eficiente. Tarantino novamente nos domina com sua irreverência, seus cuidados minunciosos e sua violência bizarra. Quanto aos atores, Christopher Waltz simplesmente dá vida a um dos personagens mais incríveis que já vi no cinema e Brad Pitt também esbanja talento como um caipira americano cujo sotaque leva o público ao riso fácil. Em suma, é uma obra memorável.
Julie & Julia
Essa foi uma grande surpresa. Fui ao cinema vê-lo sem muitas expectativas, imaginando que seria um filme para passar o tempo e esquecer no dia seguinte. Até hoje não esqueci. Diferentemente de Bastardos Inglórios, conforme assistimos o filme não damos conta do quão especial ele é, apesar de Meryl Streep provar-se excepcional desde a sua primeira aparição. Aí é que está seu trunfo. Ele se constrói levemente, sem muito alarde, conforme é traçado um paralelo entre as histórias de Julia Child, uma americana que, nas décadas de 1950/60, se propõe a ensinar culinária francesa a mulheres americanas através de um livro que custa a ser publicado, e Julie Powell, uma americana em plena década que se encerra na quinta-feira que se propõe a fazer, em um ano, todas as receitas de Julia e colocar suas impressões em um blog. A forma como Nora Ephron faz as transições, acertadas e com ótimos ganchos, assim como a boa abordagem (sem perder o foco) das pequenas coisas que acontecem na vida das personagens principais ao longo de suas jornadas são duas características essenciais para que, ao final do filme, o espectador reconheça a sua perfeição. Então, competência é a palavra chave e não culinária.
Se Beber Não Case
Se ver um título ruim como esse, não se intimide. O grande problema do filme não tem nada a ver com seus realizadores, mas sim com seja lá quem foi que teve a ideia de colocar esse nome em português ridículo no original The Hangover (A Ressaca). Fora isso, é um filme que faz rir horrores com a história de 4 amigos que passam pelas situações mais inimagináveis durante a despedida de solteiro de um deles em Las Vegas – tinha que ser. A idiotice dos personagens não incomoda, como se pode inicialmente pensar, já que as palhaçadas não são previsíveis. É uma comédia pela qual eu não dava um centavo (não dá para dar muito crédito a um filme com participação especial do Mike Tyson), mas que, na verdade, é o melhor besteirol do ano.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
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Boas dicas já que não vi nenhuma dessas obras. (P.S.) que bom que temos novos posts no Cinematógrafo. Keep it up! Grande Abraço, Mário de Sá
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